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A Grande Deusa Mãe
Para entendermos corretamente quem é esta Divindade, temos que voltar até os primeiros povos da Terra.
Quando os povos primitivos identificaram a mulher com a Terra e associaram a existência da Terra a poderes divinos, consideraram que o poder que conspirou para que o Universo fosse criado era feminino. Como só as mulheres têm o poder de dar a vida a outros seres, nossos ancestrais começaram a acreditar que tudo tinha sido gerado por uma Deusa.
Em diversas partes do mundo a Grande Deusa Mãe é associada à Lua, já que existia um poder maior que agia entre a mulher e a Lua.
Todas as religiões primais viam no poder feminino a chave para o Mito da Criação e assim o Universo era identificado como uma Grande Deusa, criadora de tudo aquilo que existia e que existiu. Nada mais lógico para uma sociedade em processo de evolução, pois não é do ventre da mulher que todos nós saímos?
O culto a Grande Deusa remonta a Era de Touro. Nesta época o respeito ao feminino e o culto aos mistérios da procriação eram muitos difundidos. Nas culturas primitivas a mulher era tida como a única fonte da vida, tanto que os lugares onde ocorriam os partos eram considerados sagrados e foram nestes lugares que surgiram diversos templos de veneração à Deusa.
Com o avanço da agricultura, a importância do solo passou a ser primordial e a Grande Mãe Terra(a Deusa) se tornou o centro de culto das tribos primitivas. As mulheres eram consideradas responsáveis pela fartura das colheitas, pois eram elas que conheciam os mistérios da criação.
As várias estatuetas femininas como as Vênus de Willendorf, de Menton e Lespugne, representam a sacralidade feminina e os poderes mágicos e religiosos atribuídos à Deusa nas época do Paleolítico e Neolítico.(Ver imagem)
Para citar Erich Neuman(A Grande Deusa p.89-90): Com as esculturas da Idade da Pedra, retratando a Grande Mãe como deusa, repentinamente emerge da humanidade o arquétipo do Grande Feminino pela primeira vez, em arrebatadora perfeição e totalidade. Essas imagens da Grande Deusa, apesar de serem pinturas rupestres, são as obras cúlticas e artísticas mais antigás que a humanidae conhece. A existencia dessas imagens numa área que se extende desde a Siberia até os Pirineus perece pressupor a existencia de uma visão do mundo unitária em cujo centro está a Grande Deusa.
...As esculturas da Idade da Pedra são divididas de acordo com o sexo,visto que, numa pesquiza realizada, há cinquenta e cinco figuras femininas no todo e apenas apenas cinco figuras masculinas. Estas são figuras de adolescentes masculinas atípicas e mal-acabadas. De forma que sem dúvida, não tinham nenhum significado para os cultos. Isto confirma o caráter secundário da divindade masculina que surge sómente mais tarde na hístoria da religião e que deriva sua colocação como dividade filial de sua Mãe, a Deusa.
O arquétipo da Grande Deusa
Marija Gimbutas (Civilization of the Goddess), professora de arqueologia Européia na Universidade da Califórnia em Los Angeles, descreve “a velha Europa”, ou a primeira civilização da Europa. Datando de pelo menos 5000 anos atrás (talvez até 25000 anos) antes do aparecimento das religiões centradas na figura masculina, a velha Europa foi uma cultura “matrifocal”, sedentária, pacata, amante da arte, uma cultura ligada a terra e ao mar que venerava a Grande Deusa. Aliás, sabemos que a maioria das tribos pré-históricas veneravam a Grande Deusa. A partir de uma certa época , a Europa passou por uma serie de invasões do Norte e do Leste. Esses invasores tinham cultura “patrifocal”, eram inconstantes, guerreiros, ideologicamente orientados pelo céu e indiferentes a arte.
Os invasores se julgavam um povo superior e sucessivas ondas de invasões dos indo-europeus iniciaram o destronamento da Grande Deusa (4500-4400AC).
As deusas não foram completamente suprimidas, mas incorporadas nas religiões dos invasores. Eles impuseram a sua cultura patriarcal e sua religião bélica aos povos conquistados. A Grande Deusa tornou-se consorte serviçal dos deuses dos invasores. Os atributos e poder que originalmente pertenciam a divindade feminina foram desapropriados e dados a uma divindade masculina. A violação apareceu nos mitos pela primeira vez e surgiram mitos nos quais os heróis do sexo masculinos matavam serpentes, símbolo da Grande Deusa.
E como se reflecte na mitologia Grega, os atributos, símbolos de poder que um dia foram investidos numa Grande Deusa, foram divididos entre muitas Deusas.
A Grande Deusa era venerada como criadora e destruidora de vida, responsável pela fertilidade e destrutibilidade da natureza.E ela não só existe como um arquétipo no inconsciente colectivo, como também como deusas Gregas divididas em vários arquétipos.
De facto, as deusas gregas são imagens de mulheres que viveram na imaginação humana por mais de 3000 anos. As deusas são modelos ou representação daquilo com que as mulheres se assemelham actualmente na nossa cultura. Elas representam padrões inerente ou arquétipos que podem modelar o curso da vida de uma mulher, pois todas elas estão potencialmente presentes em cada uma de nós.
Quando diversas deusas disputam o domínio da psique de uma mulher, esta precisa decidir que aspecto de si próprio expressar e quando expressá-lo.
As deusas também viviam numa sociedade patriarcal, portanto representam modelos que reflectem a vida numa cultura patriarcal como a nossa.
Os principais tipos de Deusas
A mulher-Atena é regida pela deusa da sabedoria e da civilização, ela busca a realização profissional numa carreira, envolvendo-se com educação, cultura intelectual, justiça social e com política.
A mulher-Afrodite é regida pela deusa do amor, e esta voltada principalmente pelo relacionamentos humanos, sexualidade, intriga, romance, beleza e inspirações pelas artes.
A Mulher-Perséfone é regida pela deusa do mundo avernal, é mediúnica e atraída pelo mundo espiritual, pelo oculto, pelas experiências místicas e visionárias e pelas questões ligadas a morte. Também representa a adolescência.
A mulher-Artémis é regida pela deusa da selva, ela é pratica, atlética, aventureira, aprecia a cultura física, a solidão, a vida ao ar livre e os animais; dedica-se a protecção do meio ambiente, aos estilos da vida alternativas e às comunidades de mulheres.
A mulher-Deméter é regida pela deusa das colheitas, ela é uma verdadeira mãe terra que gosta de estar grávida, de amamentar e de cuidar de crianças, está envolvida com todos os aspectos de nascimento e com os ciclos reprodutivos da mulher.
A mulher-Hera é regida pela deusa dos céus, ela se ocupa dos casamento, da convivência com o homem e, sempre que as mulheres são líderes ou governantes, de questões ligadas ao poder.
A mulher-Hestia é regida pela deusa do interior; ela é solitária, solteirona, meditadora, ela é a deusa virgem que mantém vivo o fogo interno.
A mulher-Hécate é regida pela deusa da maturidade, ela simboliza a menopausa, a sabedoria e a voz da experiência, ela é a anciã. Encarna a deusa tríplice, a adolescente, a mulher madura e a anciã.
© Nathalie Durel-2006-Todos direitos reservados |
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A natureza feminina na nossa época
As mulheres de hoje não são somente bonitas, elas compreendem, se compreendem e compreendem o caminho que fazem. De uns anos para cá, estamos vivendo uma profunda transformação da identidade feminina no planeta inteiro, mesmo quando ocorrem algumas regressões e sobressaltos a caminhada vai firme.
Mesmo se nada está ainda definitivamente conseguido, o caminho está aberto e a cada dia vai se conquistando mais espaço.
A “absorção” da mulher pelo patriarcado existe ainda dentro de nós como uma mutilação da nossa verdadeira essência, mas as coisas estão a mudar.
Hoje, o desabrochar da mulher passa por uma etapa que podemos chamar de “mulher-pesquisadora”, que aprende a entender de um modo diferente as mensagens da vida. Esta evolução no caminho da transformação leva-nos por várias etapas dentro do nosso mundo interno e convida-nos a descobrir os planos mais profundos da nossa personalidade através de uma visita nas "camadas escuras da nossa psique.” (a terapia)
Este mundo subterrâneo está em relação com o universo do inconsciente, dos sonhos, da sombra e dos mistérios.
Cada vez mais, as mulheres irão dar a luz a elas mesmas em consciência.
As mulheres de poder, as combatentes e as vitoriosas, precisam regar seus corações, sair da aridez mental, da intelectualização e da corrida a eficácia. A nossa tarefa é a de domar com consciência a poderosa beleza do feminino, precisamos humanizar-nos e reequilibrar o poder da nossa Deusa interior.
Perder e reencontrar. Nós mulheres perdemos a unidade com a Grande Deusa e seus poderes.
Descobrimos as misérias e também as grandezas da servidão, ousamos a revolta e sofremos as divisões, nos convencemos que o saber ou intelecto eram primordiais (e de facto ajudou-nos a medir o tamanho das nossas correntes), achamos que a liberação da mulher passava pela igualdades de direitos com os homens (de facto, a igualdade de votos, de salários, de reconhecimento, de valorização são ainda primordiais, mas realmente nós mulheres precisamos de igualdade nos comportamentos sexuais?). Pegamos o poder da espada e fechamos o nosso coração, chegou o momento de reaprender a abrí-lo com a protecção da nossa força interior.
Chegou o momento de irmos a descoberta de quem somos realmente.
E isto pode ser feito por meio de extensas escavações psiquico- arqueológicas das ruínas do mundo subterrâneo feminino.
Chegou o momento do grande reencontro com o arquétipo da Grande Deusa Mãe para nos ajudar na nossa caminhada.
A Deusa ferida em todas nós
É urgente, portanto, que compreendamos a natureza e a condição dos arquétipos femininos que estão despontando do inconsciente colectivo da nossa cultura. A primeira coisa que notamos, é que como qualquer pessoa que foi encarcerada, exilada, vituperada e caluniada, as deusas, ao serem restauradas na consciências como princípios psico-espirituais, frequentemente parecem fracas, confusas, magoadas e feridas. Esses ferimentos se devem ao tratamento áspero e cruel que receberam nas mãos da repressão patriarcal: Afrodite envergonha-se da sua sexualidade; Atena questiona sua capacidade de pensar; Hera duvida do seu próprio poder; Deméter desconfia de sua fertilidade; Perséfone nega suas visões; Ártemis não sabe interpretar a sua sabedoria corporal instintiva. Isso, e muito mais, é legado do exílio psíquico do feminino.
Quando começarmos a examinar em detalhes a psicologia de cada uma das deusas, deveremos prestar atenção especial ao que chamamos chagas das deusas; as mágoas profundas que todas ela sofreram, ferimentos que lhes foram infringidos durante a longa história da batalha psicológica pela supremacia, empreendida pelas forças masculinas na nossa cultura ocidental. Não importa se essas chagas surgiram pela primeira vez com a hegemonia guerreira dos gregos antigos, com o imperialismo dos romanos ou com o medo puritano do feminino e do corpo entre certas facções do cristianismo; a nós urge perguntar por que toda mulher moderna carrega dentro de si resquícios de chaga de uma deusa específica que vem apostemando-se há quase três milénios. (Texto extraído da obra “A deusa Interior” Ed.Cultrix)
Mitos e arte-terapia como instrumento de insight e reencontro com nossa deusa interior
Como uma trilha que atravessa a floresta e vai cada vez diminuindo mais até quando parece se reduzir a nada, a teoria psicológica tradicional esgota-se rápido demais para a mulher criativa, talentosa e profunda. A psicologia tradicional é muitas vezes lacónica ou totalmente omissa quanto a questões mais profundas e importantes para as mulheres: o aspecto arquetípico, o intuitivo, o sexual e o cíclico, as idades das mulheres, o jeito de ser mulher, a sabedoria da mulher, seu fogo criador.
As questões da alma feminina não podem ser tratadas tentando-se esculpi-la de uma forma mais adequada a uma cultura inconsciente, nem é possível dobrá-la até que tenha um formato intelectual mais aceitável para aqueles que alegam serem os únicos detentores do consciente. Não. Foi isso o que já provocou a transformações de milhões de mulheres, que começaram como forças poderosas e naturais, em parias na sua próprio cultura. Na verdade, a meta deve ser a recuperação e o resgate da bela forma psíquica natural da mulher.
Os contos de fadas, os mitos e as histórias proporcionam uma compreensão que aguça nosso olhar para que possamos escolher o caminho deixado pela natureza selvagem.
Na maioria das vezes, conseguimos com o tempo, descobrir o mito ou o conto de fadas condutor, que contém todas as instruções de que uma mulher necessita para seu actual desenvolvimento psíquico. Essas histórias compreendem o drama da alma de uma mulher. É como uma peça de teatro, com instruções sobre o palco, os personagens e os acessórios.
A arte é importante porque ela celebra as estações da alma, ou algum acontecimento trágico ou especial na trajectória da alma. A arte não é só para o indivíduo; não é só um marco de compreensão do próprio indivíduo. Ela é também uma mapa para aqueles que virão depois de nós.
(Texto extraído da obra “ Mulheres que correm com os lobos” Ed.Rocco)
Este texto da Clarissa Pinkola Estes nos faz descobrir a importância de uma nova abordagem psicológica especifica para as mulheres.
A arte-terapia constitui uma ferramenta indispensável para nos colocar em contacto com as deusas e os arquétipos que representam.
Para isso precisamos antes de tudo entrar em contacto com o nosso mundo inconsciente, pois é aí que elas “residem”.
Quais são as maneiras de entramos em contacto com o nosso mundo inconsciente, seja ele inconsciente pessoal ou colectivo?
-os sonhos e estados modificados de consciências
-os mitos e contos
-a astro-terapia
-a arte-terapia
-o psico-tarô
En conclusão, fica evidente que para re-encontrar nossa verdadeira natureza precisamos de ajuda externa através de diversas abordagens terapêuticas e de terapeutas especializados (com formações adequadas, que fizeram terapia pessoal e ainda fazem supervisão uma vez formados). É muito importante quando se procura um guía para nos levar ao encontro da "noite escura" do nosso inconsciente que está pessoa siga tambem um código deontológico rigoroso. Então, um conselho quando procuram um terapeuta: nunca tenham medo de fazer perguntas sobre TUDO E MAIS ALGUMA COISA!! (mesmo se suas perguntas possam lhes parecer absurdas) ( principalmente sobre a formação do terapeuta e se ele faz terapia e supervisão)
Boa procura a todas!
É possível descobrir este mundo fascinante das deusas nos seguintes livros:
O feminino reencontrado - A mulher na jornada interior - Nathalie Durel (pode comprar neste site)
As deusas e a mulher- Jean Shinoda Bolen-Ed.Paulus
As deusas e a mulher madura – Jean Shinoda Bolen-Ed.Paulus
A deusa interior – J.Barker Woolger/R.J.Woolger –Ed.Cultrix
Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estes-Ed.Rocco
© Nathalie Durel-2006-Todos direitos reservados |
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Para toda acção terapêutica é primordial levar em conta o tipo de ser humano a que se vai atender, para que seja possível estabelecer uma estratégia de terapia adequada e para que o paciente sinta-se em segurança e compreendido em todas as dimensões do seu ser. A empatia entre a terapeuta e o paciente é fundamental para o sucesso do tratamento.
A antropologia da saúde, disciplina relativamente recente, ensina-nos justamente a adaptar a nossa terapêutica ao tipo de ser humano que estamos a tratar, levando em conta o sexo a que pertence, a sua idade, cultura, raça, religião, etc. Só deste modo o paciente será capaz de expressar-se em total confiança, permitindo que o trabalho terapêutico lhe proporcione uma verdadeira transformação.
O mundo da mulher é um mundo bem específico e achei por bem especializar-me num tipo de atendimento direccionado à elas.
Em geral, as mulheres são muito intuitivas e mais familiarizadas com o mundo das emoções, o que geralmente assusta bastante os homens. Isto acontece por várias razões, uma delas pelo facto de serem cíclicas devido a menstruação, o que ocasiona as típicas oscilações de humor que tanto deixam os homens perplexos e por vezes nós próprias.
É no hemisfério cerebral direito que se encontra alojada a nossa intuição e parte do nosso mundo emocional (esta aloja-se também no sistema límbico). Esta parte do cérebro funciona por analogia, associações de ideas e símbolos, e corresponde normalmente a uma actividade “inconsciente”, a mesma que encontra-se bastante activa nos artistas e nas pessoas criativas.
As mulheres são muito criativas e se alguém duvidar disso, basta pensar no “malabarismo” que fazem no seu dia-a-dia para ao mesmo tempo cuidar dos filhos, do marido, da casa, do trabalho e delas (quando obviamente sobram tempo e energia para tal). Por esta e por outras razões é legítimo dizer que SEM SOMBRA DE DÚVIDA AS MULHERES SÃO REALMENTE MUITO CRIATIVAS!!!
O problema está justamente no facto de perderem-se em tantos esforços criativos para cuidarem constantemente dos outros, antes de tratarem de si próprias (o tão famoso sacrifício da “boa mãe”). É fundamental que voltem a conectar-se com elas mesmas e com o mundo criativo puramente feminino, para que seja possível recriarem o seu interior e renascerem para uma nova vida.
Para ilustrar este problema de uma maneira adequada, nada melhor que citar parte do texto de introdução do maravilhoso livro “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pínkola, livro este que em minha opinião toda mulher deveria ler.
«Sentir, pensar ou agir segundo qualquer um dos seguintes exemplos representa ter um relacionamento parcialmente prejudicado ou inteiramente perdido com a psique instintiva profunda. Usando-se exclusivamente a linguagem da mulher, trata-se de sensações de extraordinaria aridez, fadiga, fragilidade, depressão, confusão, de estar amordaçada, calada a força, desestimulada. Sentir-se assustada, deficiente ou fraca, sem inspiração, envergonhada, com uma fúria crônica, instável, amarrada, sem criatividade, deprimida, transtornada. Sentir-se impotente, insegura, hesitante, bloqueada, incapaz de realizações, entregando a própria criatividade para os outros, escolhendo parceiros errados, empregos ou amizades que lhe esgotam a energia, sofrendo por viver em desacordo com os próprios ciclos, superprotectora de si mesma, inerte, inconstante, vacilante, incapaz de regular a própria marcha ou de fixar limites. Não conseguir insistir no seu próprio andamento, preocupar-se em demasia com a opinião alheia, afastar-se do seu Deus ou dos seus deuses, isolar-se da sua própria revitalização, deixar envolver exageradamente na domesticidade, no intelectualismo, no trabalho ou na inércia, porque é esse o lugar mais seguro para quem perdeu os proprios instintos.
Recear aventurar-se ou revelar-se, temer procurar um mentor, mãe, pai, temer exibir a própria obra, antes que esteja perfeita, temer iniciar uma viagem, recear gostar de alguém ou dos outros, ter medo de não conseguir parar, de se esgotar, de se exaurir, curvar-se diante da autoridade, perder a energia diante de projetos criativos, encolher-se, humilhar-se, ter angústia, entorpecimento, ansiedade. Ter medo de revidar quando não resta outra coisa a fazer, medo de experimentar o novo, medo de enfrentar, de exprimir sua opinião, de criticar qualquer coisa, de sentir naúseas, aflição, acidez, de sentir-se partida ao meio, estrangulada, conciliadora e gentil com extrema facilidade, de ter sentimentos de vigança.
Ter medo de parar, ter medo de agir, contar até três repetidamente sem conseguir começar, ter complexo de superioridade....... Essas rupturas são uma doença não de uma era , nem de um século, mas transforma-se em epidemia a qualquer hora e em qualquer lugar onde as mulheres se vejam aprisionadas, sempre que a naturaza selvática tiver caído na armadilha. Uma mulher saúdavel assemelha-se a uma loba; robusta, plena, com grande força vital, que dá a vida, que tem consciência do seu território, engenhosa, leal e que gosta de perambular....»
Não é preciso maiores explicações, pois neste texto estão contidos os vários tipos de sofrimentos que uma mulher enfrenta na sua existência. Aconselho vivamente à mulher que ao lê-lo tenha se incomodado de alguma forma, que procure ajuda rapidamente, pois as nossas emoções não mentem ao ler palavras tão verdadeiras.
A Arte-Terapia é sem dúvida alguma um excelente método (visto que é da ordem criativa e simbólica) para ajudar a mulher a reapropriar-se de sua verdadeira identidade.
Mas atenção, pois criar somente não é o suficiente! Do meu ponto de vista é igualmente importante reservar à consulta um tempo definido para a expressão verbal, de maneira a conversarmos sobre aquilo que foi criado e que é sentido.
Obviamente que o papel da terapeuta é fundamental nesta relação terapêutica. Esta, obrigatoriamente deve ter realizado um largo e vasto trabalho sobre si mesma (terapia pessoal de muitos anos e supervisão regular) e sobre a sua própria feminilidade. Ela deve ser capaz de criar uma relação de confiança com a sua paciente, de modo a que esta sinta-se livre para expressar o que sente e pensa sem ser julgada, mas apenas compreendida através dos seus sofrimentos e preocupações.
A terapeuta deve inspirar confiança na paciente, devendo ainda ser capaz de enxergá-la para além dos seus sintomas, pois existe sempre uma parte de sua personalidade que mantém-se “sã e salva”, e é justamente esta parte que se deseja resgatar e trazer à luz do mundo.
Como já citado anteriormente, a mulher é muito intuitiva e no seu íntimo, sabe realmente o que é bom para ela, mesmo que muitas vezes o negue.
Os grandes vilões acabam sempre por ser os mecanismos de defesas (às vezes conscientes mas na maioria das vezes inconscientes) que entram “em jogo” e boicotam o trabalho terapêutico.Quando isto acontece, a terapeuta deve ser capaz de detectá-los e ajudar a paciente a ultrapassá-los, sempre respeitando seu ritmo.
Tenho por hábito de dizer que a Psicoterapia finca-se obrigatoriamente sobre uma Lei que designo como: A lei dos 3 P’s
- Protecção: a paciente tem necessidade de um espaço onde se sinta em segurança
física e psicológica;
- Permissão: para que progressivamente e com a ajuda da terapeuta autorize-se a ser e
a agir – como por exemplo: tomar decisões de mudança de vida, etc;
- Potência: o que então lhe proporcionará, felicidade, criatividade, serenidade,
liberdade, paz e outros benefícios.
A arte-terapeuta é uma simples guia, que deve conhecer o seu papel na perfeição e saber qual a sua posição no processo terapêutico que a sua paciente inicia.
Ela deve saber principalmente quando intervir e quando ficar retraída, pois afinal muitas vezes o silêncio vale mais do que mil palavras!
O atêlier de Arte-Terapia deve ser um “ninho” protector onde a mulher se possa “desvendar” em total segurança. Somente assim, ela conseguirá alcançar a sua plenitude.
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